Por volta de 1800 e alguma coisa, um jovem europeu resolveu participar
de uma expedição cujo destino era a América Latina e o país o Brasil, a
expedição era formada por médicos e boticários (farmacêuticos). Depois da longa
viagem de navio desembarcaram no litoral sul, e o jovem que era boticário não
tinha a intensão de fixar residência aqui, só queria pesquisar e retornar ao
seu país.
Entre uma pesquisa e outra acabou se apaixonando pela filha do cacique de
uma tribo se casou dessa união nasceu uma filha. A mulher índia teve que se
adaptar a cultura do marido e a filha foi educada na cultura do pai; resumindo
sou a tataraneta dessa união. O interessante é que trago de forma inata espontânea
sentimentos, valores, gosto pelas coisas da natureza como, por exemplo: gosto
de ficar agachada, de chá, remédios caseiros, mandioca e seus derivados, frutas
nativas, andar a pé de preferencia em parques que tenham lagos ou rios. Ainda
adoro olhar para a lua, observar o céu durante o dia, tenho muito prazer em
comer determinados alimentos com as mãos e me encanto com pulseiras, colares e brincos.
Diante disso me ponho a pensar o meu tataravô fez um esforço de Hércules
para ensinar a minha tataravó a cultura do homem branco, porém a genética
imprimiu nos descendentes do casal os caracteres da cultura indígena – além do
rosto redondo e dos olhos escuros o gosto, o prazer de estar e pertencer à
natureza, é claro que a genética também registrou os caracteres da cultura do
homem branco. Assim gosto de saber que tenho descendência indígena como também
gosto de saber que tenho descendência do homem branco. Portanto no meu entender a mistura de raças permite
que os descendentes dessas relações tenham formas múltiplas (a apreensão das
culturas) de ver e sentir o mundo.