quarta-feira, 28 de agosto de 2013

HERANÇA SEM TESTAMENTO


Por volta de 1800 e alguma coisa, um jovem europeu resolveu participar de uma expedição cujo destino era a América Latina e o país o Brasil, a expedição era formada por médicos e boticários (farmacêuticos). Depois da longa viagem de navio desembarcaram no litoral sul, e o jovem que era boticário não tinha a intensão de fixar residência aqui, só queria pesquisar e retornar ao seu país.
Entre uma pesquisa e outra acabou se apaixonando pela filha do cacique de uma tribo se casou dessa união nasceu uma filha. A mulher índia teve que se adaptar a cultura do marido e a filha foi educada na cultura do pai; resumindo sou a tataraneta dessa união. O interessante é que trago de forma inata espontânea sentimentos, valores, gosto pelas coisas da natureza como, por exemplo: gosto de ficar agachada, de chá, remédios caseiros, mandioca e seus derivados, frutas nativas, andar a pé de preferencia em parques que tenham lagos ou rios. Ainda adoro olhar para a lua, observar o céu durante o dia, tenho muito prazer em comer determinados alimentos com as mãos e me encanto com pulseiras, colares e brincos.
Diante disso me ponho a pensar o meu tataravô fez um esforço de Hércules para ensinar a minha tataravó a cultura do homem branco, porém a genética imprimiu nos descendentes do casal os caracteres da cultura indígena – além do rosto redondo e dos olhos escuros o gosto, o prazer de estar e pertencer à natureza, é claro que a genética também registrou os caracteres da cultura do homem branco. Assim gosto de saber que tenho descendência indígena como também gosto de saber que tenho descendência do homem branco.  Portanto no meu entender a mistura de raças permite que os descendentes dessas relações tenham formas múltiplas (a apreensão das culturas) de ver e sentir o mundo.




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O SENTIDO DAS COISAS



            O mundo só é mundo porque está entre os homens, que por sua vez necessitam viver em sociedade para perceberem a realidade e garantirem a apreensão do mundo sensorial de diferentes lugares. O ser humano não foi talhado para viver no isolamento, a alteridade é de suma importância para a preservação do mundo e de si próprio.
Deste modo o ser humano vive em sociedade conservando a sua individualidade que gera indícios da perda de valores para: os saberes, a religião, a família, a política entre outros enfraquecendo do corpo social, propiciando o surgimento da desilusão pelo mundo.
Também é sabido que o homem – indivíduo – se comunica com os outros pela expressão corporal, forma de se vestir, pelo discurso, pela capacidade de dar sentido as palavras, pela linguagem que é o conhecimento do que pode ser dito. Portanto o sentido das coisas é dado pelo indivíduo que se torna responsável pela feição do respeito para com o outro bem como seu aniquilamento.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A CONSULTA MÉDICA




            Há muitos anos atrás, me encontrava muito doente, então uma amiga indicou o seu médico de confiança - médico é questão de confiança. O referido médico estava com a agenda “cheia” teria que esperar por uma consulta mais ou menos 60 dias ou antes se houvesse uma desistência ( a consulta era particular), marquei a consulta e fiquei aguardando, levei sorte depois de uns 30 dias a secretaria me ligou para avisar de uma desistência, fiquei aminada.
            Então levei uns dois dias escrevendo toda sorte “ais”; até que enfim chegou o dia da tão sonhada da consulta. Na hora marcada fui recebida pelo médico, pessoa amável, simpática e tantos outros adjetivos; educadamente indicou a cadeira para sentar e conversamos. Ele queria detalhes desde o meu nascimento até aquele dia: então nesse primeiro momento estava fazendo um relato histórico da minha existência.
            Assim terminado o relato histórico pensei agora ele vai perguntar sobre os meus “ais” e qual a minha surpresa quando me pergunta de uma forma muito incisiva “qual é o sentimento que predomina em você durante todo o dia”? Para minha surpresa eu não soube responder então  chamou a secretaria e pediu que remarcasse  a consulta para a semana seguinte e me passou uma tarefa: teria que registrar num caderno durante uma semana todos os sentimentos que se apresentassem – quer de alegria, tristeza, euforia, desamino, ódio, raiva etc.. Marcar ainda o dia e a hora e no final dia fazer um balanço -- qual predominava.
            De posse da tarefa voltei para casa frustrada, primeiro ele não quis saber dos meus “ais” só queria saber dos meus sentimentos e minha amiga nem me avisou detalhe.  Depois de uma semana voltei ao consultório com a lição de casa feita e novamente pensei ele vai querer saber dos meus tão preciosos “ais”, novamente fui surpreendida, se contentou com os meus sentimentos.
            Com efeito, falou serenamente que precisávamos harmonizar os sentimentos e receitou vários remédios homeopáticos, para encurtar a história me tratei com ele mais ou menos cinco anos,  nunca quis saber dos meus “ais”. Logo com o passar do tempo meus “ais” desapareceram, aprendi a me observar e até hoje faço um diário registrando tudo o que sinto, aprendi ainda que quando cozinhamos o ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar interagem nos dando a oportunidade de perceber e agir e que às vezes na nossa existência precisamos do descontentamento, da dor, do cansaço para dar sabor à vida.





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LASSIDÃO



As mudanças precisam das lentes do otimismo, sempre que acontece um fato faz-se necessário um esforço para ver no acontecimento o lado bom que é o do crescimento, do aprendizado, da solicitação de mudanças, a busca pelo novo, o ser humano é imprevisível no seu agir, de sorte que não pode ser entendido como o resultado de leis, forças, causas ou tendências.      
            Também a vida em sociedade não é estável não é pacífica; a cultura sobrevive à custa do discurso racional e da força; com efeito percebe-se que o cidadão começa a demonstrar sintomas de lassidão, que significa “cansaço, fadiga, desinteresse, tédio”, que contamina todo o tecido social com o desamino, perplexidade e irritação diante dos fatos.
  Assim diante da lassidão torna-se necessário a busca incessante pelo sentido das coisas, logo é preciso saber que aprovar não é sinônimo de aceitar, que as questões morais por vezes atendem ao interesse da sociedade gerando tensão; que a verdade precisa ser entendia como conhecimento; o desejo como a essência do ser humano que também gera diferença; e que o presente não é uma escolha e sim o lugar em que a humanidade está inserida.