segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FINAL DE ANO


  Vocês já devem ter percebido que no mês de dezembro nós humanos vivemos de forma intensa, com muita euforia dá para sentir no ar o misto de alegria, tristeza, pressa, prazer e desejo. É muito interessante observar que nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro paira sobre a atmosfera uma sensação de prazer combinado com cansaço e porque não uma preguiça gostosa de sentir.
Também é possível notar que no dia 24 de dezembro as crianças estão mais ansiosas afinal é dia de ganhar presentes, os adultos nem tanto muitas vezes se sentem pressionados pelas convenções sociais a participarem de jantares e almoços que não lhes dá prazer, o que na realidade queriam é estar a milhares de quilômetros de distancia compartilhando o momento com outras pessoas.
Já no dia 31 vemos uma inversão os adultos estão cheios de expectativas em geral estão compartilhando com pessoas que lhes são caras, e a expectativa do ano novo traz em si certa dose de medo, incerteza e a consciência de que é preciso ter coragem para enfrentar o novo e tudo que ele acarreta faz-se necessário vencer o pessimismo sabendo que as coisas que estão no mundo foram feitas pelo homem e, portanto, são instáveis, podem mudar e serem refeitas.
Portanto é verossímil afirmar que no mês de dezembro o homem – unidade pensante e falante se torna cônscio da manifestação do novo, do inédito e da sua responsabilidade perante seus atos e que não há justificativa para os seus atos de indiferença, uma vez que  são os atos dos humanos que constroem e fortalecem a violência ou a não violência  é preciso lembrar que o mundo sem violência é fruto de atos amorosos porque são eles que fazem surgir o amor.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

PROCURANDO ENTENDER ALGUNS CONCEITOS EM HANNAH ARENDT

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                        A Terra é a casa da biodiversidade e a espécie humana faz parte deste contexto tornando-se necessário entender a acepção da vivência humana. É sabido que o nascimento insere o homem num mundo já dado, contudo oportuniza um novo principiar. Entretanto com esse principiar surge a necessidade que deverá ser atendida pelo trabalho que por sua vez solicita a presença do outro.
                        Assim a busca pela saciedade das necessidades leva o homem a se agrupar em sociedade de consumo que segundo Arendt “a sociedade de consumidores possivelmente não é capaz de saber como cuidar de um mundo e das coisas que pertencem de modo exclusivo ao espaço das aparências mundanas, visto que sua atitude central em relação a todos os objetos, a atitude de consumo, condena à ruína tudo em que toca”. De maneira que é verossímil afirmar: a satisfação das necessidades geram a saciedade que passa a ser confundida com a  felicidade. 
                       Em suma   o nascimento nos inclui no planeta Terra, e nos tornamos seres do mundo, mundo este feito pelas nossas mãos e uma vontade imensa de compartilhar  com os nossos semelhantes pelo simples fato de termos nascido e pela oportunidade   de experimentamos a nossa temporalidade num universo onde tudo se agita dando a oportunidade para o novo se apresentar. Este texto  foi inspirado no livro A Condição Humana de Hannah Arendt.

   

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O CASAMENTO NÃO É INSTITUTO DO AMOR



 Cada vez que assisto uma cerimonia matrimonial fico indagando se os nubentes tem consciência do que é um casamento. Sim porque o casamento não se resume ao glamour dos noivos e das palavras bem colocadas do juiz de paz e ou do sacerdote, ele é uma sociedade conjugal.
Ora se é uma sociedade conjugal certamente a questão passa pela cultura, no ocidente a monogamia é uma concepção burguesa que visa conservar o patrimônio para os filhos dessa união. Assim o casamento desconhece o amor romântico, ele é simplesmente uma sociedade.
O que percebo é que a grande maioria das pessoas que resolvem se unirem pelos laços do casamento ignoram que o casamento é tão somente uma sociedade conjugal com a finalidade de proteger o patrimônio e que o amor não faz parte deste instituto. Raro são os casos em que a sociedade conjugal faz parceria com o amor conjugal ou philía, o amor romântico está totalmente excluído de tal relação. Portanto diante da falta de conhecimento e porque não dizer da ignorância homens e mulheres se unem de forma legal buscando o amor quando na realidade o casamento não passa de uma sociedade  que visa tão somente a proteção do patrimônio.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

DEPENDE DE CADA UM

              Acordar pela manhã e se perceber vivo dá uma sensação muito boa, pensar que na hora do almoço será possível saborear umas folhas de alface verdinhas com talinhos crocantes, deliciosos tomates vermelhos e doces regado  com azeite, vestir a roupa preferida, calçar aquele sapato que se adora, tudo isto é muito bom, portanto dada a estas coisas e outras tantas mais que a vida deve ser entendida como a fonte dos desejos e os prazeres e aflições são o resultado da quantificação e da qualificação da vivência de cada desejo.
              O cotidiano está repleto de situações que de acordo com as expectativas individuais serão classificadas como agradáveis ou não, e Clarice Lispector revela no poema abaixo:    

                      "Não te amo mais
                        Estarei mentindo dizendo que
                        Ainda te quero como sempre quis
                        Tenho certeza que
                        Nada foi em vão
                        Sinto dentro de mim que
                        Você não significa nada
                        Não poderia dizer mais que 
                        Alimento um grande amor
                        Sinto cada vez mais que
                        Já te esqueci!
                        E jamais usarei a frase
                        Eu te amo!
                        Sinto, mas tenho que dizer a verdade
                        É tarde de mais...
                       *Agora leia o poema de baixo para cima."

                 Com efeito, o toque agradável ou desagradável que é dado para as experiências da vida depende exclusivamente do individuo - unidade pensante que é dotado da capacidade de dar qualidade e forma as suas vivências, portanto pode-se afirmar que a vida é singular, particular, única, com cor, cheiro e sabor e que é um privilégio viver.
                       
    

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A FRAGILIDADE HUMANA



            Hoje a tarde está muito agradável o sol brilha e o calor se faz ameno, ótimo momento para fazer uma pausa nos afazeres do cotidiano e procurar refletir um pouco sobre o nosso planeta Terra, o quê está acontecendo com a nossa Terra?  Nos últimos tempos temos presenciado uma série de catástrofes causadas pela natureza que chegam a assustar os habitantes do planeta em especial a espécie humana que é a única que possui a capacidade de raciocinar, e sabe muito bem o que significa uma região povoada por humanos ser atingida por um desastre natural.
            Há anos o homem - unidade pensante- busca entender as causas dos fenômenos naturais em especial aqueles que provocam flagelos, no entanto ainda não se tem uma conclusão: ora cogita-se que a ação humana pode ser a grande geradora de tais calamidades, ora arrazoa-se que ação humana pouco ou nada influência, ou ainda que a combinação da ação humana e do humor da natureza são fatores desencadeantes.
                        Diante de tal situação o homem está cônscio que tudo que cria para tornar o planeta habitável, agradável e prazeroso é efêmero, que ele mesmo é passageiro. Assim quando uma região é atingida o homem refreia o medo e com coragem busca alternativas para aliviar a dor e o sofrimento do semelhante atingido, ajudando na reorganização da vida social  sabendo  que os atingidos  correm o risco de não serem mais os mesmos  em razão das súbitas mudanças em suas vidas.






terça-feira, 5 de novembro de 2013

DESCULPA

O ser humano se comunica de uma forma muito instigante ora utiliza a linguagem corporal – a dança, para expressar os sentimentos as emoções e contar histórias de amor ou não;  outras vezes usa a linguagem escrita também com o mesmo intuito; a fala  no entanto é a forma mais espontânea e natural de comunicação. Se a dança transporta o ser humano para as artes e a escrita para a literatura a fala o impele para o movimento da vida.
Assim o vocabulário é parte integrante da linguagem quer escrita ou falada e a nossa língua portuguesa brasileira é riquíssima nestes termos. Contudo no meu entender há palavras que me soam vazias, sem sentido, como, por exemplo, a palavra desculpa sempre que alguém me pede desculpa fico pensando que será que a pessoa quis dizer, se ela me ofendeu ou me magoou não é com um pedido de desculpa que a minha dor será amenizada, se me causou um dano material não é com a tal palavra que vai reparar o meu prejuízo. Portanto percebo  que as pessoas agem sem avaliar as consequências de suas atitudes e depois que percebem o estrago feito pedem desculpa como se a palavra “desculpa” fosse uma borracha que apaga o ato praticado  e o dano causado desaparece como num toque de mágica o que na realidade não acontece, mesmo com o pedido de desculpa a dor permanece e o dano material terá que ser reparado, logo para mim a palavra desculpa é vazia e sem sentido.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

TRAIÇÃO


    
               Desde que o mundo é mundo o homem se vê às voltas com a traição e para entender o ato de trair e suas consequências se faz necessário em primeiro lugar saber que a palavra traição deriva “do latim tradito, traditionis, significa ato ou efeito de trair, de ser infiel, felonia, desleal, ato criminoso de natureza política, contra a segurança do Estado,” segundo Larousse. Assim  pode-se afirmar que a princípio existe traição: na esfera pública e na esfera privada.
            De maneira que a história registrou inúmeros casos de traição para a tomada do poder deste ou daquele rei, imperador e também de guerreiros. O ato da traição que marcou a história da humanidade de maneira indelével foi aquele praticado contra Jesus. A traição também está presente na vida dos artistas e das pessoas comuns, contudo no campo das artes a traição é tida como uma mola propulsora da criação, da inovação das coisas.
          Certamente a traição traz em si a ausência da honestidade, da sinceridade e é premeditada. A grande questão não é a traição, mas porque as pessoas traem, será  que desejam sem conhecer e tomam o desejo pessoal por um conhecimento? Será que constatando que a vida não corresponde a realização daquilo que se deseja enterram-se vivos no ato de desamor que é a traição?  Em síntese o que se sabe é que  toda traição gera decepção depois de realizada e o gosto amargo da decepção nada cura senão o desespero  - sabor acre  e salutar.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DE OIKIA PARA CASA




Para entenderemos o significado de casa na contemporaneidade faz necessário voltarmos ao pensamento grego anterior ao surgimento da cidade-Estado em que o talento humano para a organização política se assemelhava aos arranjos do lar – oikia- sendo a vida do indivíduo e a sobrevivência da espécie humana  questões domésticas. O lar se manteve sagrado tanto na Grécia clássica quanto na Roma antiga, os limites que cercavam a propriedade privada eram respeitados não por ser propriedade privada, mas, por entenderem que sem possuir uma casa, o homem estava incapacitado de participar dos assuntos do mundo por não ter nele um lugar propriamente seu.
Segundo Arendt [...], “o traço distintivo da esfera do lar era que o fato de que nela os homens viviam juntos por serem a isso compelidos por suas necessidades e carências.[...]”. Assim é possível afirmar que as necessidades nasciam na comunidade natural - o lar. Entretanto na Idade Média a questão original do lar teve a conotação do “bem comum” os indivíduos tinham interesses materiais e espirituais comuns, não se preocupavam com a vida protegida do lar. Já na modernidade o individuo deixou o lar e dedicou-se aos assuntos da cidade, arriscando a própria vida.
Assim, o lar aos poucos perdeu a significação original e chegou aos dias atuais como casa sinônimo de:  abrigo, segurança, aonde se sonha lugar que o homem quer estar depois de enfrentar as situações limites que a sociedade impõe. Segundo Bachelard  “a casa, na vida do homem, afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela o homem  seria um ser disperso.” Portanto é possível asseverar que na atualidade  o lar - oikia foi substituído pela casa  asilo da consciência, recinto da vida que principia abrigada e protegida, espaço que permite a cumplicidade de ilusões e sonhos.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MEDO E ANGÚSTIA



         

            Imaginemos alguém caminhando sozinho numa rua deserta a noite, pouco importa se a noite está chuvosa, fria, quente e enluarada porque basta ser noite e estar sozinho para o medo se apresentar - o medo de que haja alguém – malfeitor - ou que não exista ninguém somente a escuridão, ou talvez fantasmas. Ei! Fantasmas existem? Pouco importa se existam ou não o que interessa é que são temidos. O medo gera um real aceitável visto que as fantasias fazem parte do mundo.
            De modo que o ser humano está sufocado pelo medo, que habita entre a angústia de viver e a fatível morte. Então é verossímil afirmar – a angústia é um sentimento conatural. Cabe à angústia marcar a fraqueza do ser humano e pontuar: o que seria do homem, da arte e do pensamento sem ela; que a angústia é espontânea; que existir representa nascer, morrer com a possibilidade de padecer. Fica patente que o ser humano está sujeito a todos os riscos e medos, que é tímido no mundo e mortal na vida.
            Assim a angústia repousa em perigos imaginários – sem objeto real, sem saída para o provável, contudo, necessário. O medo desempenha uma função vital, presume-se um perigo real e determinado - medo do escuro, do nada, de tudo entre outros. Portanto se a angústia põe em xeque o necessário caminhando junto com a esperança o medo é vital supõe um risco real, indubitavelmente o primeiro sentimento após o nascimento.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

É ASSIM ! ?


           
        Pensar a condição humana é pensar o homem como sujeito, que precisa preservar o mundo que é o seu abrigo, porque só a espécie humana deve criar preservar e pertencer a um mundo artificial para existir como homem; aquele que está aberto e se realiza no outro, que tem consciência da falta de alguma coisa.
            Assim o mundo só é mundo porque os homens necessitam da presença um dos outros, e tal presença conduz as questões: o que somos agora?  Qual a nossa identidade? Qual a dimensão da nossa fragilidade? O mundo comum está relacionado com aqueles que vivem conosco?  E aqueles que já morreram? E os que virão depois de nós? Com efeito, para responder tais quesitos é preciso primeiramente criar mecanismos para evitar a perda da confiança dos homens no mundo como lugar adequado para o surgimento das grandezas humanas.
       Ora se é premente manter a confiança dos homens no mundo também se torna urgente deixar claro que nada neste mundo é seguro, tudo é possível, o erro é avalizado, que é verossímil ver, dizer e pensar o que não é e que cada um tem sua própria forma de apreender as mudanças é imperativo a coragem e o controle de si mesmo. Pois tudo acontece  no aqui, no agora no hoje, cheio de segredos, inconstante e certo ao mesmo tempo.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A MODA E A AUTONOMIA



          Conta à lenda que a espécie humana a muitos e muitos anos vivia sobre as árvores, e não se sabe o que aconteceu que caíram e não conseguiram voltar para as copas, então passaram a habitar o solo, aprenderam a andar ereto, deixaram de ser exclusivamente herbívoros. Imagina-se que no início viviam sós, depois foram se agrupando dando origem as sociedades primitivas.
            Inclusive a história relata a evolução do homem no âmbito social, e demonstra que a espécie humana se mostra capacitada para mudar a organização do mundo e que existe uma autonomia parcial no que tange à estética da aparência. O sistema de moda surge quando o gosto pelo novo se torna um requisito cultural constante e autônomo.
          Assim historicamente a moda pode ser vista como fator gerador do poder social, que seguindo Lipovestky “antes de ser a desrazão vaidosa a moda é o poder dos homens para mudar e inventar sua maneira de aparecer; uma das faces do artificialismo moderno; do empreendimento dos homens para se tornarem senhores de sua condição de existência.” Portanto com o advento da moda surge a autonomia porque os desejos e a vontade não sofrem a imposição externa – tudo na aparência está disponível para os homens que estão livres para modificar ou sofisticar os símbolos da futilidade ou da vaidade.
         Em suma a moda está fundada na solicitação e  valorização da individualidade, na legitimidade da singularidade de cada ser humano. Quanto a  autonomia está na prática das elegâncias que antecede a valorização do individuo; e a liberdade circunscrita certamente indica a antecipação às declarações de princípios dos direitos humanos.


sábado, 21 de setembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DO OUTRO

Não dá para imaginar o mundo sem a presença e a participação dos homens. As atividades humanas dependem das relações dos homens com as coisas – coisas feitas por suas mãos. Sabe-se que a vida humana acontece na presença de outros seres humanos. Assim se a atividade humana está relacionada com a convivência entre os homens  a atuação depende da presença dos outros.
De modo que “aquilo que é visto e ouvido pelos outros e por nós mesmos constitui a realidade” segundo Hannah Arendt. Por certo ver e ouvir (aparência) dá o tom da realidade do mundo e de nós mesmos. Ora a aparência e a fabricação das coisas proporcionam o surgimento da sociedade e citando novamente Arendt “ [...] a sociedade espera de cada um dos seus membros certo tipo de comportamento, impondo inúmeras e variadas regras, todas elas tendentes a “normalizar” os seus membros, a fazê-los comportarem-se, a excluir a ação espontânea ou a façanha extraordinária.” Com efeito o advento social favorece a substituição da ação pelo comportamento.
    Entretanto o homem possui uma singularidade que é a capacidade de agir,experimentar o significado das coisas movimentar-se  de sorte que quando o comportamento passa a ser a principal forma de relação humana em detrimento da ação a sociedade experimenta sintomas de conformismo. Portanto faz-se necessário agir, porque a ação é uma prerrogativa do homem e a existência humana  só tem sentido  no mundo na presença dos outros.

domingo, 8 de setembro de 2013

SIMPLES ASSIM





A humanidade anda com muita pressa nos últimos anos, aonde quer chegar não sei, só sei que de quando em quando a natureza presenteia com dias chuvosos ou nublados para forçar a redução do ritmo, e até que funcionam as pessoas ficam mais cautelosas quando chove e os dias nublados são um convite para re-pensar o mundo, a dor, o luto, o amor e a solidão, a vida como um todo.
Mas também sob estas condições climáticas a angustia mostra a sua face, dada a dificuldade do homem em aceitar a falta que conduz a frustração, tornando a espécie humana infeliz por achar que o acontecimento ou experiência vivida não é justo. Contudo estar no mundo não significa ser infeliz pelo contrário é sob o império do efêmero - da não permanência que a autonomia diz sim e os valores são cunhados.
Segundo Char “a lucidez é a ferida mais próxima do sol” o real é sempre real às vezes há possibilidade de modifica-lo, certamente revoga-lo não. De fato  o planeta é colossal, esplêndido, já a vida se mostra prudente e ao mesmo tempo delicada, singela e para ser vivida exige muito esforço, citando Sponville “a vida é uma vitória que perdura [...] viver é perder, já que não se pode possuir nem guardar – e que é vencer, já que viver basta." Resumindo a vida é simples assim - inquietação, desconforto e medo gerando acesso para o real e a possibilidade de tudo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O REAL



            Não é de hoje que a espécie humana dotada da razão busca entender a condição humana diante da fragilidade do mundo. A existência é singular, apenas num tempo, num lugar, individual cujo sabor é único, não se repete em outra parte nem em outro tempo. Graças ao privilégio da consciência a espécie humana é cônscia de sua morte e de tudo aquilo que a cerca, com efeito, o nascimento e a morte são respectivamente a porta de entrada e de saída do mundo e esta percepção garante a realidade.       
Assim o ser humano está inserido num mundo em que prefere o princípio do prazer ao da realidade, e o desejo é visto como a projeção do indivíduo em qualquer outro lugar, ou seja, ele sai do ciclo do real. E a relação do desejo com o real se reduz a uma tolerância pueril vassala da ignorância mutua– o desejo livre de toda realidade e vice-versa, dessa forma o desejo se mostra pouco real e o real se apresenta pouco desejável. Indubitavelmente o desejo se opõe a alegria que se basta com a plenitude do real sem se afastar dele podendo a inquietante presença do real gerar o medo, porque o real é o que é.
Portanto se o real é o que é e a alegria é prazer  então nada mais radioso que existir, pois o presente é o único tempo disponível e real. Desse modo a felicidade acontece sempre no presente - aqui e agora - necessitando tão somente do lugar e do tempo, logo, a experiência de vida feliz se confunde com a experiência do presente porque o ser humano habita o hoje - presente  e os momentos encontram-se no agora.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

HERANÇA SEM TESTAMENTO


Por volta de 1800 e alguma coisa, um jovem europeu resolveu participar de uma expedição cujo destino era a América Latina e o país o Brasil, a expedição era formada por médicos e boticários (farmacêuticos). Depois da longa viagem de navio desembarcaram no litoral sul, e o jovem que era boticário não tinha a intensão de fixar residência aqui, só queria pesquisar e retornar ao seu país.
Entre uma pesquisa e outra acabou se apaixonando pela filha do cacique de uma tribo se casou dessa união nasceu uma filha. A mulher índia teve que se adaptar a cultura do marido e a filha foi educada na cultura do pai; resumindo sou a tataraneta dessa união. O interessante é que trago de forma inata espontânea sentimentos, valores, gosto pelas coisas da natureza como, por exemplo: gosto de ficar agachada, de chá, remédios caseiros, mandioca e seus derivados, frutas nativas, andar a pé de preferencia em parques que tenham lagos ou rios. Ainda adoro olhar para a lua, observar o céu durante o dia, tenho muito prazer em comer determinados alimentos com as mãos e me encanto com pulseiras, colares e brincos.
Diante disso me ponho a pensar o meu tataravô fez um esforço de Hércules para ensinar a minha tataravó a cultura do homem branco, porém a genética imprimiu nos descendentes do casal os caracteres da cultura indígena – além do rosto redondo e dos olhos escuros o gosto, o prazer de estar e pertencer à natureza, é claro que a genética também registrou os caracteres da cultura do homem branco. Assim gosto de saber que tenho descendência indígena como também gosto de saber que tenho descendência do homem branco.  Portanto no meu entender a mistura de raças permite que os descendentes dessas relações tenham formas múltiplas (a apreensão das culturas) de ver e sentir o mundo.




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O SENTIDO DAS COISAS



            O mundo só é mundo porque está entre os homens, que por sua vez necessitam viver em sociedade para perceberem a realidade e garantirem a apreensão do mundo sensorial de diferentes lugares. O ser humano não foi talhado para viver no isolamento, a alteridade é de suma importância para a preservação do mundo e de si próprio.
Deste modo o ser humano vive em sociedade conservando a sua individualidade que gera indícios da perda de valores para: os saberes, a religião, a família, a política entre outros enfraquecendo do corpo social, propiciando o surgimento da desilusão pelo mundo.
Também é sabido que o homem – indivíduo – se comunica com os outros pela expressão corporal, forma de se vestir, pelo discurso, pela capacidade de dar sentido as palavras, pela linguagem que é o conhecimento do que pode ser dito. Portanto o sentido das coisas é dado pelo indivíduo que se torna responsável pela feição do respeito para com o outro bem como seu aniquilamento.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A CONSULTA MÉDICA




            Há muitos anos atrás, me encontrava muito doente, então uma amiga indicou o seu médico de confiança - médico é questão de confiança. O referido médico estava com a agenda “cheia” teria que esperar por uma consulta mais ou menos 60 dias ou antes se houvesse uma desistência ( a consulta era particular), marquei a consulta e fiquei aguardando, levei sorte depois de uns 30 dias a secretaria me ligou para avisar de uma desistência, fiquei aminada.
            Então levei uns dois dias escrevendo toda sorte “ais”; até que enfim chegou o dia da tão sonhada da consulta. Na hora marcada fui recebida pelo médico, pessoa amável, simpática e tantos outros adjetivos; educadamente indicou a cadeira para sentar e conversamos. Ele queria detalhes desde o meu nascimento até aquele dia: então nesse primeiro momento estava fazendo um relato histórico da minha existência.
            Assim terminado o relato histórico pensei agora ele vai perguntar sobre os meus “ais” e qual a minha surpresa quando me pergunta de uma forma muito incisiva “qual é o sentimento que predomina em você durante todo o dia”? Para minha surpresa eu não soube responder então  chamou a secretaria e pediu que remarcasse  a consulta para a semana seguinte e me passou uma tarefa: teria que registrar num caderno durante uma semana todos os sentimentos que se apresentassem – quer de alegria, tristeza, euforia, desamino, ódio, raiva etc.. Marcar ainda o dia e a hora e no final dia fazer um balanço -- qual predominava.
            De posse da tarefa voltei para casa frustrada, primeiro ele não quis saber dos meus “ais” só queria saber dos meus sentimentos e minha amiga nem me avisou detalhe.  Depois de uma semana voltei ao consultório com a lição de casa feita e novamente pensei ele vai querer saber dos meus tão preciosos “ais”, novamente fui surpreendida, se contentou com os meus sentimentos.
            Com efeito, falou serenamente que precisávamos harmonizar os sentimentos e receitou vários remédios homeopáticos, para encurtar a história me tratei com ele mais ou menos cinco anos,  nunca quis saber dos meus “ais”. Logo com o passar do tempo meus “ais” desapareceram, aprendi a me observar e até hoje faço um diário registrando tudo o que sinto, aprendi ainda que quando cozinhamos o ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar interagem nos dando a oportunidade de perceber e agir e que às vezes na nossa existência precisamos do descontentamento, da dor, do cansaço para dar sabor à vida.





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LASSIDÃO



As mudanças precisam das lentes do otimismo, sempre que acontece um fato faz-se necessário um esforço para ver no acontecimento o lado bom que é o do crescimento, do aprendizado, da solicitação de mudanças, a busca pelo novo, o ser humano é imprevisível no seu agir, de sorte que não pode ser entendido como o resultado de leis, forças, causas ou tendências.      
            Também a vida em sociedade não é estável não é pacífica; a cultura sobrevive à custa do discurso racional e da força; com efeito percebe-se que o cidadão começa a demonstrar sintomas de lassidão, que significa “cansaço, fadiga, desinteresse, tédio”, que contamina todo o tecido social com o desamino, perplexidade e irritação diante dos fatos.
  Assim diante da lassidão torna-se necessário a busca incessante pelo sentido das coisas, logo é preciso saber que aprovar não é sinônimo de aceitar, que as questões morais por vezes atendem ao interesse da sociedade gerando tensão; que a verdade precisa ser entendia como conhecimento; o desejo como a essência do ser humano que também gera diferença; e que o presente não é uma escolha e sim o lugar em que a humanidade está inserida.


terça-feira, 30 de julho de 2013

AMOR! ! ! amor? ? ?


           
Sonhamos na adolescência com um amor que seja, grande, eterno, verdadeiro como aqueles que nos contam os contos de fadas. Na juventude continuamos com o sonho que vai ao encontro dos nossos desejos das nossas ilusões, já na idade adulta precisamos entender que esse amor é uma ilusão, e nada melhor que Platão em o Banquete para e explicar que o amor pode ser entendido primeiro como ilusões amorosas conforme o relato poético, cheio de imaginação e muito entusiasmo de Aristófanes - este amor é exclusivo porque esquece, renega os outros; perpétuo porque descarta a experiência do desamor e tal experiência é tão verdadeira, intensa e violenta quanto o amor; a paixão amorosa é a mãe da felicidade (está lá nos contos de fadas); e a fusão  que é o desejo de “se unir com o ser amado e se fundir nele desse modo que sejam um só ser em vez dois”. Assim Aristófanes nos apresenta o amor como gostaríamos que fosse – absoluto, grande, eterno, que nos faz sonhar, entretanto é ilusório porque toda experiência nega a nossa crença – demonstra na verdade que este tipo de amor é a ilusão amorosa.
Já a segunda explicação vem de Sócrates o amor verdadeiro - é aquele com o qual não sonhamos porque está fadado à carência, à incompletude, é difícil exigente nos conduz ao descontentamento. O amor para Sócrates é uma equação (Amor=desejo=falta). Todo amor segundo Sócrates é por alguma coisa que se deseja e que falta.  “O amor ama aquilo que lhe falta e ele não possui” e deseja ‘”aquilo de que não se dispõe e que não está presente." Como poderia desejar o que está presente ou que se tem? “o que não temos o que não somos o que nos falta, são esses os objetos do desejo e do amor”.  Logo o amor Socrático é incompletude, imperfeição, descontentamento e a eterna busca.
Em suma depois de procurar entender a proposta do amor em o Banquete, fico com a certeza que o amor seja ele com “A” ou “a” ele é inerente aos relacionamentos humanos  e estamos sempre buscando  porque  na verdade procuramos a felicidade, só que nesta procura ficamos esperando para viver  ou seja nos preparando para sermos felizes.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

EU E A INFORMÁTICA



         Seria hilária se não fosse trágica a minha relação com a informática, começando que sou canhota e os equipamentos são fabricados para destros, imaginem a cena: vou ao caixa eletrônico - primeira operação básica inserir cartão- simples – sim simples para o destro, para mim é muito complicado porque insiro e retiro com a mão esquerda quase sempre dá erro de leitura  preciso inserir mais de uma vez até que ufa! deu certo, agora é só pedir a operação se for pagamento de boleto  o leitor do código de barras está posicionado à direita  - só lembrando sou canhota -  se tudo der certo o código é lido e consigo efetuar o pagamento, contudo se o leitor não reconhecer o código de barras e preciso digitar os números ai!ai!ai! o teclado também não me favorece digito com a mão esquerda e todos os demais comando estão à direita  torço e retorço em frente do caixa eletrônico, deu certo agora é pegar o comprovante – só que pego o comprovante com a mão esquerda e o comprovante é liberado à minha direita. Se tiver que pagar o IPVA ou outro imposto qualquer é melhor chamar um funcionário do banco para ajudar porque corro o risco de ser maltratada por outros clientes.

            Dada a minha dificuldade (que deve ser a mesma para os canhotos) procurei o gerente e questionei sobre a possibilidade de se colocar em algumas agencias caixas que atendam as necessidades do canhoto da mesma forma como existe para os cadeirantes e recebi a “grata” noticia que não existe equipamento para atender as necessidades dos canhotos, somos a minoria da população mundial, isto significa que temos que nos adequar a uma sociedade de maioria destra só lembrando que a questão dos caixas eletrônicos é uma das muitas questões de adaptação que o canhoto enfrenta no cotidiano, contudo estas dificuldades diárias não me tiram a alegria e o prazer de estar neste planeta azul.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

SÓ MAIS UMA TARDE



             O dia estava nublado e frio, eu já estava entendida (15 dias sem sol) então peguei minha bolsa e sai, andei sem rumo certo, observando as pessoas que passavam por mim umas com pressa outras nem tanto, de repente um homem chamou minha atenção, sentado na mureta de um repuxo cheio d’água, estava alcoolizado, pensei se cair dentro d’água vai se machucar entretanto se levantou e tonto pegou duas bolsas e saiu trôpego, de repente uma sacola caiu e junto uma garrafa de bebida alcoólica que se espatifou.
            O que se seguiu foi muito interessante quando ele percebeu que havia quebrado a garrafa ficou andando entorno dos pedaços daquilo que havia sido uma garrafa sem saber o que fazer depois ajoelhou diante dos cacos e ficou vendo o liquido escorrer pela calçada, desolado tive a impressão que aquela garrafa significava toda sua riqueza, todo seu prazer, todo seu desejo e ele precisava de uma grande dose de coragem para aceitar o acontecido – estava sem a sua garrafa preciosa - seu tesouro.

           Passei pelo homem que continuava ajoelhado, andei mais algumas quadras e resolvi voltar para casa, trazendo pão quente para o lanche da tarde sem mais me importar com o acontecido. A minha atitude portanto é tipica dos tempos que vivemos - da indiferença, do tolerar tudo sem se importar com nada. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

INVERNO



     Estamos no inverno, estação de dias nublados, chuvosos e frios, contudo são dias que trazem em si uma beleza singular, porque nos convidam a desfrutar do convívio familiar no aconchego do lar, nos mostra que a urgência de viver pode esperar, e nos dá a oportunidade de entendermos e depois compreendermos o que diz Fernando Pessoa “amamos tão somente a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos. Isto é verdade em toda escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. [...] No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos.”

            Assim entendo que o inverno pelo menos para mim é o momento de entender e decifrar algumas coisas e principalmente descansar, citando mais uma vez Fernando Pessoa: “o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta”.  

terça-feira, 11 de junho de 2013

ENVELHECER



            Outra tarde li um poema de Cora Coralina intitulado Saber Viver e este poema me fez refletir sobre o envelhecer, sabemos pelos resultados do Censo Demográfico de 2010, que a população de idosos no Brasil está aumentando, vários são os fatores que contribuem para este crescimento. É sabido que a velhice é uma meta que toda espécie humana busca atingir, (só os que morrem cedo estão fora da meta). Ela é um momento da existência que possui forma e valores próprios que vão se firmando ao longo da existência, carrega em si contentamento, deleite, consentimento, aprovação, prazer e não é sinônimo de resignação e sim de completude – relação completa de domínio e satisfação ao mesmo tempo. Assim a velhice deve ser vista como uma meta positiva da vida.

 Saber Viver - Cora Coralina
 Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
            Muitas vezes basta ser:
            Colo que acolhe,
            Braço que envolve,
            Palavra que conforta,
            Silêncio que respeita,
            Alegria que contagia,
            Lágrima que corre,
            Olhar que acaricia,
            Desejo que sacia,
            Amor que promove.
                        E isso não é coisa de outro mundo,
                        É o que dá sentido à vida.
                        É o que faz com que ela
                        Não seja nem curta,
                        Nem longa demais,
                        Mais que seja intensa,
                        Verdadeira, pura... Enquanto durar





terça-feira, 4 de junho de 2013

CADÊ A TRANQUILIDADE



            A semana passada foi atípica pelo menos para mim, presenciei de perto duas violações ao direito de propriedade, a primeira foi na terça feira, 16horas mais ou menos, indivíduos entram num local de trabalho e surpreendem as pessoas que estão trabalhando, querem os equipamentos eletrônicos que são instrumentos de trabalho, não conseguem êxito no roubo, saem correndo, porém voltam na quarta feira por volta da 19 horas e ai sim é feita a festa levam o que podem ninguém está trabalhando nesse horário.
O que vejo nas pessoas que são vitimas de tal agressão é o conformismo, a apatia, uma espécie de aceitação –“pior seria se pior fosse”, tal postura realmente é preocupante, porque a criminalidade está ocupando os espaços que os cidadãos tidos de bem vão deixando; certa feita um grande amigo meu falou algo neste sentido quando comentávamos a questão dos jovens envolvidos com drogas ele me disse: “a droga só ocupa o lugar que os pais deixaram vago”.
 Considerando que este pensamento é válido concluo que se vivemos nesta situação de total intranquilidade é porque somos permissivos, omissos, acomodados não solicitamos a aplicação da lei, muitas vezes deixamos de fazer boletim de ocorrência por achar que não adianta, é mais um registro; contudo se as vitimas fizessem o boletim as autoridades teriam dados concretos para tomar as providencias cabíveis e nós quanto cidadãos estaríamos fazendo a nossa parte, levando ao conhecimento do setor público o que efetivamente está acontecendo.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

ARENDT UMA PENSADORA ESPECIAL




            Quando cursei Filosofia, no primeiro ano tínhamos que escolher um filósofo (a), para estudar e nos aprofundarmos visando à construção do projeto de monografia que seria apresentado no último ano, assim depois de muito ler as biografias dos diversos filósofos – antigos, escolásticos, modernos e contemporâneos, decidi por uma filosofa contemporânea Hannah Arendt.
            Uma pensadora singular, mulher profundamente reflexiva e reservada, gostava dos temas que versassem sobre as condições humanas básicas para a existência dos homens nos diferentes períodos da história, tentou compreender o século XX com paixão. Os seus temas são um convite à leitura que se transformam numa experiência única; seu estilo de parágrafos longos e justapostos nos conduz ao desejo de entender o evento e posteriormente compreender.
            As suas reflexões são um processo “sem-fim” que remetem a um repensar sobre o homem como “ser do mundo”. Para ela o mundo é a presença tangível e estável das coisas que se mostram como morada não mortal de seres mortais, cuja própria permanência está em contraste com a vida em seus processos naturais de crescimento e declínio.E estar vivo  significa ser possuído por um impulso de auto exposição. 








        
           

















            

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A BUSCA DA FELICIDADE






           Da janela vejo o céu cinzento, as árvores contrastam com seu verde que estão passando para o amarelo estamos no outono e a vegetação já dá sinais de desaceleração, as folhas começam a cair, em breve entraremos no inverno e tudo ficará latente na natureza, só nós da espécie humana não acompanhamos o ciclo da natureza, não paramos, não fazemos silêncio, não nos percebemos, e se sabemos é pouca coisa sobre nós mesmos, então somos dominados pela necessidade principalmente a necessidade de ser feliz.
            Mais o que é felicidade? O que é ser feliz?  A filosofia responde de forma clara que a felicidade está no prazer, na satisfação dos desejos, e o que é desejo? Resumidamente desejo é a falta – necessidade, então ser feliz é ter o que se deseja. Entretanto ser feliz não significa um estado harmônico, pelo contrário indica agitação, euforia, porque estamos rompendo com as situações dadas. A felicidade mostra o seu rosto sempre no presente e está carregada de egoísmo, individualidade, e pede muita coragem para romper, se é bom ou ruim não sei dizer, só sei que é assim.
            É por isso que particularmente gosto muito como Espinosa responde a questão de ser feliz: “ora feliz ora infeliz na maioria das vezes no entremeio que separa e une os dois estados”.

           













domingo, 12 de maio de 2013

AMOR É ALEGRIA





Estou relendo o livro de Sponville chamado AMOR, particularmente gosto e muito da abordagem, a sua fundamentação está na filosofia – Platão, Aristóteles, Schopenhauer e Espinosa. Para Spnoville “o amor é uma virtude e não um dever; o dever está do lado da obrigação, da coerção do imperativo com diz Kant – submissão ou obediência; a virtude está mais do lado da potência, da excelência, da afirmação. O limite do dever é uma coerção; da virtude, uma liberdade”.
            O amor neste mundo se expressa de várias formas vamos nos ater em três expressões: Éros o amor dos apaixonados, não é pulsão não é instinto é um sentimento, geralmente passageiro; Philía que significa alegria de amar (também é traduzida como amizade), Aristóteles usava para designar o amor no grupo familiar entre pais e filhos e vice versa. O amor conjugal para Aristóteles é Philía e não Éros, porque a vida cotidiana desgasta a paixão e o amor não é infeliz, “amar é regozijar-se”; Agápe o amor sem limites este tipo de amor aparece no Império Romano para descreve um amor mais singular com tendência para o universal, o amor pregado por Jesus.  
            Sempre lembrando que esta três expressões do amor fazem parte do processo de viver, portanto não devem ser vistos como essências diferentes, e sim como um todo, ou seja, diferentes expressões de amar que se complementam porque  o amor não é infeliz, o amor é sempre alegria.
             

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SÓ PARA ENTENDER








              Outro dia entrei na página do IBGE e olhei o resultado do Censo Demográfico 2010, a informação sobre educação – nível de instrução confesso chamou minha atenção fiquei bom tempo olhando o número 81.386.577 de brasileiros (as) como 10 anos ou mais idade em 2010 sem instrução e fundamental incompleto, ou seja, 50,2% da população brasileira.
            Tenho procurado entender sei que parte deste resultado vem de longa data nosso país sempre teve altas taxas de analfabetismo; contudo já faz muito tempo que os municípios são responsáveis pela oferta de vagas para o ensino fundamental, inclusive alguns fornecem material escolar e uniforme – nas regiões frias as crianças recebem também agasalhos e por – quê estamos com 50,2% da população nesta situação?

domingo, 28 de abril de 2013


Questões???





     Esta semana vivenciei algumas situações que me levaram a pensar sobre a nossa sociedade, como ela está estruturada, e como nossas ações podem influenciar para amenizar ou aumentar os conflitos. Surpreendi-me questionando sobre a eficácia das leis, a questão da liberdade, da necessidade. A minha grande questão no momento é: se o ser humano em algum momento lá no passado chegou à conclusão que para reduzir a área de conflito e diminuir o medo era necessário limitar a liberdade e o instrumento para tal seriam as  leis e que todos deveriam obedecer  então  porque nos dias atuais tenho a sensação que as leis estatuídas são fonte de conflitos, geram insegurança, e o medo é presença constante; e a liberdade será que ela ainda existe ou é uma utopia, vejo que a cada dia que passa a necessidade de proteção, de segurança (no sentido amplo) nos leva a abrir mão do nosso direito à liberdade quero dizer do que restou, porque lá no passado a espécie humana já tinha abdicado de boa parte da liberdade em prol de um viver “bem”. 

domingo, 14 de abril de 2013

SOMOS O RESULTADO DE NOSSAS ESCOLHAS




           
          Gosto muito do poema de Fernando Pessoa que diz:

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim,
Se em certa conversa
Tivesse dito frases que só agora, no meio-sono, elaboro
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria indiscutivelmente levado a ser outro também

      Este poema no meu entender é perfeito para ilustrar o quanto é difícil escolher, e o escolher está presente em nossa existência é ele que dá o sentido da vida porque as ações realizadas são oriundas das escolhas.
O filósofo existencialista Sartre afirma: “ (...) antes de alguém viver, a vida, em si mesma  não é nada; é quem vive que deve dar-lhe um sentido; e o valor nada mais é do que esse sentido escolhido. Por constatar-se, assim que é possível criar uma comunidade humana”.