quarta-feira, 30 de outubro de 2013

TRAIÇÃO


    
               Desde que o mundo é mundo o homem se vê às voltas com a traição e para entender o ato de trair e suas consequências se faz necessário em primeiro lugar saber que a palavra traição deriva “do latim tradito, traditionis, significa ato ou efeito de trair, de ser infiel, felonia, desleal, ato criminoso de natureza política, contra a segurança do Estado,” segundo Larousse. Assim  pode-se afirmar que a princípio existe traição: na esfera pública e na esfera privada.
            De maneira que a história registrou inúmeros casos de traição para a tomada do poder deste ou daquele rei, imperador e também de guerreiros. O ato da traição que marcou a história da humanidade de maneira indelével foi aquele praticado contra Jesus. A traição também está presente na vida dos artistas e das pessoas comuns, contudo no campo das artes a traição é tida como uma mola propulsora da criação, da inovação das coisas.
          Certamente a traição traz em si a ausência da honestidade, da sinceridade e é premeditada. A grande questão não é a traição, mas porque as pessoas traem, será  que desejam sem conhecer e tomam o desejo pessoal por um conhecimento? Será que constatando que a vida não corresponde a realização daquilo que se deseja enterram-se vivos no ato de desamor que é a traição?  Em síntese o que se sabe é que  toda traição gera decepção depois de realizada e o gosto amargo da decepção nada cura senão o desespero  - sabor acre  e salutar.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DE OIKIA PARA CASA




Para entenderemos o significado de casa na contemporaneidade faz necessário voltarmos ao pensamento grego anterior ao surgimento da cidade-Estado em que o talento humano para a organização política se assemelhava aos arranjos do lar – oikia- sendo a vida do indivíduo e a sobrevivência da espécie humana  questões domésticas. O lar se manteve sagrado tanto na Grécia clássica quanto na Roma antiga, os limites que cercavam a propriedade privada eram respeitados não por ser propriedade privada, mas, por entenderem que sem possuir uma casa, o homem estava incapacitado de participar dos assuntos do mundo por não ter nele um lugar propriamente seu.
Segundo Arendt [...], “o traço distintivo da esfera do lar era que o fato de que nela os homens viviam juntos por serem a isso compelidos por suas necessidades e carências.[...]”. Assim é possível afirmar que as necessidades nasciam na comunidade natural - o lar. Entretanto na Idade Média a questão original do lar teve a conotação do “bem comum” os indivíduos tinham interesses materiais e espirituais comuns, não se preocupavam com a vida protegida do lar. Já na modernidade o individuo deixou o lar e dedicou-se aos assuntos da cidade, arriscando a própria vida.
Assim, o lar aos poucos perdeu a significação original e chegou aos dias atuais como casa sinônimo de:  abrigo, segurança, aonde se sonha lugar que o homem quer estar depois de enfrentar as situações limites que a sociedade impõe. Segundo Bachelard  “a casa, na vida do homem, afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela o homem  seria um ser disperso.” Portanto é possível asseverar que na atualidade  o lar - oikia foi substituído pela casa  asilo da consciência, recinto da vida que principia abrigada e protegida, espaço que permite a cumplicidade de ilusões e sonhos.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MEDO E ANGÚSTIA



         

            Imaginemos alguém caminhando sozinho numa rua deserta a noite, pouco importa se a noite está chuvosa, fria, quente e enluarada porque basta ser noite e estar sozinho para o medo se apresentar - o medo de que haja alguém – malfeitor - ou que não exista ninguém somente a escuridão, ou talvez fantasmas. Ei! Fantasmas existem? Pouco importa se existam ou não o que interessa é que são temidos. O medo gera um real aceitável visto que as fantasias fazem parte do mundo.
            De modo que o ser humano está sufocado pelo medo, que habita entre a angústia de viver e a fatível morte. Então é verossímil afirmar – a angústia é um sentimento conatural. Cabe à angústia marcar a fraqueza do ser humano e pontuar: o que seria do homem, da arte e do pensamento sem ela; que a angústia é espontânea; que existir representa nascer, morrer com a possibilidade de padecer. Fica patente que o ser humano está sujeito a todos os riscos e medos, que é tímido no mundo e mortal na vida.
            Assim a angústia repousa em perigos imaginários – sem objeto real, sem saída para o provável, contudo, necessário. O medo desempenha uma função vital, presume-se um perigo real e determinado - medo do escuro, do nada, de tudo entre outros. Portanto se a angústia põe em xeque o necessário caminhando junto com a esperança o medo é vital supõe um risco real, indubitavelmente o primeiro sentimento após o nascimento.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

É ASSIM ! ?


           
        Pensar a condição humana é pensar o homem como sujeito, que precisa preservar o mundo que é o seu abrigo, porque só a espécie humana deve criar preservar e pertencer a um mundo artificial para existir como homem; aquele que está aberto e se realiza no outro, que tem consciência da falta de alguma coisa.
            Assim o mundo só é mundo porque os homens necessitam da presença um dos outros, e tal presença conduz as questões: o que somos agora?  Qual a nossa identidade? Qual a dimensão da nossa fragilidade? O mundo comum está relacionado com aqueles que vivem conosco?  E aqueles que já morreram? E os que virão depois de nós? Com efeito, para responder tais quesitos é preciso primeiramente criar mecanismos para evitar a perda da confiança dos homens no mundo como lugar adequado para o surgimento das grandezas humanas.
       Ora se é premente manter a confiança dos homens no mundo também se torna urgente deixar claro que nada neste mundo é seguro, tudo é possível, o erro é avalizado, que é verossímil ver, dizer e pensar o que não é e que cada um tem sua própria forma de apreender as mudanças é imperativo a coragem e o controle de si mesmo. Pois tudo acontece  no aqui, no agora no hoje, cheio de segredos, inconstante e certo ao mesmo tempo.