segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A MODA E A AUTONOMIA



          Conta à lenda que a espécie humana a muitos e muitos anos vivia sobre as árvores, e não se sabe o que aconteceu que caíram e não conseguiram voltar para as copas, então passaram a habitar o solo, aprenderam a andar ereto, deixaram de ser exclusivamente herbívoros. Imagina-se que no início viviam sós, depois foram se agrupando dando origem as sociedades primitivas.
            Inclusive a história relata a evolução do homem no âmbito social, e demonstra que a espécie humana se mostra capacitada para mudar a organização do mundo e que existe uma autonomia parcial no que tange à estética da aparência. O sistema de moda surge quando o gosto pelo novo se torna um requisito cultural constante e autônomo.
          Assim historicamente a moda pode ser vista como fator gerador do poder social, que seguindo Lipovestky “antes de ser a desrazão vaidosa a moda é o poder dos homens para mudar e inventar sua maneira de aparecer; uma das faces do artificialismo moderno; do empreendimento dos homens para se tornarem senhores de sua condição de existência.” Portanto com o advento da moda surge a autonomia porque os desejos e a vontade não sofrem a imposição externa – tudo na aparência está disponível para os homens que estão livres para modificar ou sofisticar os símbolos da futilidade ou da vaidade.
         Em suma a moda está fundada na solicitação e  valorização da individualidade, na legitimidade da singularidade de cada ser humano. Quanto a  autonomia está na prática das elegâncias que antecede a valorização do individuo; e a liberdade circunscrita certamente indica a antecipação às declarações de princípios dos direitos humanos.


sábado, 21 de setembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DO OUTRO

Não dá para imaginar o mundo sem a presença e a participação dos homens. As atividades humanas dependem das relações dos homens com as coisas – coisas feitas por suas mãos. Sabe-se que a vida humana acontece na presença de outros seres humanos. Assim se a atividade humana está relacionada com a convivência entre os homens  a atuação depende da presença dos outros.
De modo que “aquilo que é visto e ouvido pelos outros e por nós mesmos constitui a realidade” segundo Hannah Arendt. Por certo ver e ouvir (aparência) dá o tom da realidade do mundo e de nós mesmos. Ora a aparência e a fabricação das coisas proporcionam o surgimento da sociedade e citando novamente Arendt “ [...] a sociedade espera de cada um dos seus membros certo tipo de comportamento, impondo inúmeras e variadas regras, todas elas tendentes a “normalizar” os seus membros, a fazê-los comportarem-se, a excluir a ação espontânea ou a façanha extraordinária.” Com efeito o advento social favorece a substituição da ação pelo comportamento.
    Entretanto o homem possui uma singularidade que é a capacidade de agir,experimentar o significado das coisas movimentar-se  de sorte que quando o comportamento passa a ser a principal forma de relação humana em detrimento da ação a sociedade experimenta sintomas de conformismo. Portanto faz-se necessário agir, porque a ação é uma prerrogativa do homem e a existência humana  só tem sentido  no mundo na presença dos outros.

domingo, 8 de setembro de 2013

SIMPLES ASSIM





A humanidade anda com muita pressa nos últimos anos, aonde quer chegar não sei, só sei que de quando em quando a natureza presenteia com dias chuvosos ou nublados para forçar a redução do ritmo, e até que funcionam as pessoas ficam mais cautelosas quando chove e os dias nublados são um convite para re-pensar o mundo, a dor, o luto, o amor e a solidão, a vida como um todo.
Mas também sob estas condições climáticas a angustia mostra a sua face, dada a dificuldade do homem em aceitar a falta que conduz a frustração, tornando a espécie humana infeliz por achar que o acontecimento ou experiência vivida não é justo. Contudo estar no mundo não significa ser infeliz pelo contrário é sob o império do efêmero - da não permanência que a autonomia diz sim e os valores são cunhados.
Segundo Char “a lucidez é a ferida mais próxima do sol” o real é sempre real às vezes há possibilidade de modifica-lo, certamente revoga-lo não. De fato  o planeta é colossal, esplêndido, já a vida se mostra prudente e ao mesmo tempo delicada, singela e para ser vivida exige muito esforço, citando Sponville “a vida é uma vitória que perdura [...] viver é perder, já que não se pode possuir nem guardar – e que é vencer, já que viver basta." Resumindo a vida é simples assim - inquietação, desconforto e medo gerando acesso para o real e a possibilidade de tudo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O REAL



            Não é de hoje que a espécie humana dotada da razão busca entender a condição humana diante da fragilidade do mundo. A existência é singular, apenas num tempo, num lugar, individual cujo sabor é único, não se repete em outra parte nem em outro tempo. Graças ao privilégio da consciência a espécie humana é cônscia de sua morte e de tudo aquilo que a cerca, com efeito, o nascimento e a morte são respectivamente a porta de entrada e de saída do mundo e esta percepção garante a realidade.       
Assim o ser humano está inserido num mundo em que prefere o princípio do prazer ao da realidade, e o desejo é visto como a projeção do indivíduo em qualquer outro lugar, ou seja, ele sai do ciclo do real. E a relação do desejo com o real se reduz a uma tolerância pueril vassala da ignorância mutua– o desejo livre de toda realidade e vice-versa, dessa forma o desejo se mostra pouco real e o real se apresenta pouco desejável. Indubitavelmente o desejo se opõe a alegria que se basta com a plenitude do real sem se afastar dele podendo a inquietante presença do real gerar o medo, porque o real é o que é.
Portanto se o real é o que é e a alegria é prazer  então nada mais radioso que existir, pois o presente é o único tempo disponível e real. Desse modo a felicidade acontece sempre no presente - aqui e agora - necessitando tão somente do lugar e do tempo, logo, a experiência de vida feliz se confunde com a experiência do presente porque o ser humano habita o hoje - presente  e os momentos encontram-se no agora.