Acordar pela manhã e se perceber vivo dá uma sensação muito boa, pensar que na hora do almoço será possível saborear umas folhas de alface verdinhas com talinhos crocantes, deliciosos tomates vermelhos e doces regado com azeite, vestir a roupa preferida, calçar aquele sapato que se adora, tudo isto é muito bom, portanto dada a estas coisas e outras tantas mais que a vida deve ser entendida como a fonte dos desejos e os prazeres e aflições são o resultado da quantificação e da qualificação da vivência de cada desejo.
O cotidiano está repleto de situações que de acordo com as expectativas individuais serão classificadas como agradáveis ou não, e Clarice Lispector revela no poema abaixo:
"Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde de mais...
*Agora leia o poema de baixo para cima."
Com efeito, o toque agradável ou desagradável que é dado para as experiências da vida depende exclusivamente do individuo - unidade pensante que é dotado da capacidade de dar qualidade e forma as suas vivências, portanto pode-se afirmar que a vida é singular, particular, única, com cor, cheiro e sabor e que é um privilégio viver.