sexta-feira, 5 de julho de 2013

SÓ MAIS UMA TARDE



             O dia estava nublado e frio, eu já estava entendida (15 dias sem sol) então peguei minha bolsa e sai, andei sem rumo certo, observando as pessoas que passavam por mim umas com pressa outras nem tanto, de repente um homem chamou minha atenção, sentado na mureta de um repuxo cheio d’água, estava alcoolizado, pensei se cair dentro d’água vai se machucar entretanto se levantou e tonto pegou duas bolsas e saiu trôpego, de repente uma sacola caiu e junto uma garrafa de bebida alcoólica que se espatifou.
            O que se seguiu foi muito interessante quando ele percebeu que havia quebrado a garrafa ficou andando entorno dos pedaços daquilo que havia sido uma garrafa sem saber o que fazer depois ajoelhou diante dos cacos e ficou vendo o liquido escorrer pela calçada, desolado tive a impressão que aquela garrafa significava toda sua riqueza, todo seu prazer, todo seu desejo e ele precisava de uma grande dose de coragem para aceitar o acontecido – estava sem a sua garrafa preciosa - seu tesouro.

           Passei pelo homem que continuava ajoelhado, andei mais algumas quadras e resolvi voltar para casa, trazendo pão quente para o lanche da tarde sem mais me importar com o acontecido. A minha atitude portanto é tipica dos tempos que vivemos - da indiferença, do tolerar tudo sem se importar com nada. 

Um comentário:

  1. Sem dúvida querida amiga, aquela garrafa espatifada era a perda de qualquer chance de prazer naquele dia para aquele pobre coitado. Por isso o vício me assusta tanto...
    Beijos

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