Há muitos anos atrás, me encontrava
muito doente, então uma amiga indicou o seu médico de confiança - médico é questão
de confiança. O referido médico estava com a agenda “cheia” teria que esperar
por uma consulta mais ou menos 60 dias ou antes se houvesse uma desistência ( a consulta era particular), marquei a consulta e fiquei aguardando, levei sorte
depois de uns 30 dias a secretaria me ligou para avisar de uma desistência,
fiquei aminada.
Então levei uns dois dias escrevendo
toda sorte “ais”; até que enfim chegou o dia da tão sonhada da consulta. Na
hora marcada fui recebida pelo médico, pessoa amável, simpática e tantos outros
adjetivos; educadamente indicou a cadeira para sentar e conversamos. Ele queria detalhes desde o meu nascimento até aquele dia: então
nesse primeiro momento estava fazendo um relato histórico da minha existência.
Assim terminado o relato histórico
pensei agora ele vai perguntar sobre os meus “ais” e qual a minha surpresa
quando me pergunta de uma forma muito incisiva “qual é o sentimento que
predomina em você durante todo o dia”? Para minha surpresa eu não soube
responder então chamou a secretaria e pediu que remarcasse a consulta para a
semana seguinte e me passou uma tarefa: teria que registrar num caderno durante
uma semana todos os sentimentos que se apresentassem – quer de alegria,
tristeza, euforia, desamino, ódio, raiva etc.. Marcar ainda o dia e a hora e no
final dia fazer um balanço -- qual predominava.
De posse da tarefa voltei para casa
frustrada, primeiro ele não quis saber dos meus “ais” só queria saber dos meus
sentimentos e minha amiga nem me avisou detalhe. Depois de uma semana voltei ao consultório com
a lição de casa feita e novamente pensei ele vai querer saber dos meus tão
preciosos “ais”, novamente fui surpreendida, se contentou com os meus
sentimentos.
Com efeito, falou serenamente que precisávamos
harmonizar os sentimentos e receitou vários remédios homeopáticos, para
encurtar a história me tratei com ele mais ou menos cinco anos, nunca quis
saber dos meus “ais”. Logo com o passar do tempo meus “ais” desapareceram, aprendi
a me observar e até hoje faço um diário registrando tudo o que sinto, aprendi
ainda que quando cozinhamos o ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar interagem
nos dando a oportunidade de perceber e agir e que às vezes na nossa existência precisamos do descontentamento,
da dor, do cansaço para dar sabor à vida.
Que belo relato minha amiga! Quando penso no sentimento que mais sinto durante meus dias sem dúvida a espera é algo que me angustia bastante, especialmente por não saber o que esperar...
ResponderExcluirSaudades
Lu,
ExcluirTambém estou com muita saudade, aguardo sua vista.
Quanto ao meu relato, esse médico me ensinou a ver que a nossa doença está intimamente ligada aos nossos sentimentos, e o fato de você por num papel o que sente elimina boa parte da ansiedade que acompanha sempre os sentimentos. Hoje compro uns cadernos próprios para anotações lindos, e escrevo tudo o que sinto. As minhas dores de cabeça que eram constantes desapareceram,claro que tomei homeopatia por muito tempo; contudo quando me sento pressionada, aflita,transfiro para o papel, assim a mente se alivia e o corpo não sente.Quanto a sua angustia por não saber o que esperar todos nós sofremos do mesmo mal, a nossa vida é um grande ponto de interrogação, em razão das nossas escolhas que geram ações e não sabemos onde as nossas ações vão dar.A ação é questão de estudo para muitos filósofos, Hannah Arendt foi no sec.XX uma grande estudiosa do assunto. Procure não ficar aflita com o futuro, viva somente o agora - presente - diga presente para o presente dê o seu melhor - no presente.