quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DE OIKIA PARA CASA




Para entenderemos o significado de casa na contemporaneidade faz necessário voltarmos ao pensamento grego anterior ao surgimento da cidade-Estado em que o talento humano para a organização política se assemelhava aos arranjos do lar – oikia- sendo a vida do indivíduo e a sobrevivência da espécie humana  questões domésticas. O lar se manteve sagrado tanto na Grécia clássica quanto na Roma antiga, os limites que cercavam a propriedade privada eram respeitados não por ser propriedade privada, mas, por entenderem que sem possuir uma casa, o homem estava incapacitado de participar dos assuntos do mundo por não ter nele um lugar propriamente seu.
Segundo Arendt [...], “o traço distintivo da esfera do lar era que o fato de que nela os homens viviam juntos por serem a isso compelidos por suas necessidades e carências.[...]”. Assim é possível afirmar que as necessidades nasciam na comunidade natural - o lar. Entretanto na Idade Média a questão original do lar teve a conotação do “bem comum” os indivíduos tinham interesses materiais e espirituais comuns, não se preocupavam com a vida protegida do lar. Já na modernidade o individuo deixou o lar e dedicou-se aos assuntos da cidade, arriscando a própria vida.
Assim, o lar aos poucos perdeu a significação original e chegou aos dias atuais como casa sinônimo de:  abrigo, segurança, aonde se sonha lugar que o homem quer estar depois de enfrentar as situações limites que a sociedade impõe. Segundo Bachelard  “a casa, na vida do homem, afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela o homem  seria um ser disperso.” Portanto é possível asseverar que na atualidade  o lar - oikia foi substituído pela casa  asilo da consciência, recinto da vida que principia abrigada e protegida, espaço que permite a cumplicidade de ilusões e sonhos.


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