Para entenderemos o significado de casa na contemporaneidade faz necessário
voltarmos ao pensamento grego anterior ao surgimento da cidade-Estado em que o
talento humano para a organização política se assemelhava aos arranjos do lar –
oikia- sendo a vida do indivíduo e a
sobrevivência da espécie humana questões
domésticas. O lar se manteve sagrado tanto na Grécia clássica quanto na Roma
antiga, os limites que cercavam a propriedade privada eram respeitados não por
ser propriedade privada, mas, por entenderem que sem possuir uma casa, o homem estava
incapacitado de participar dos assuntos do mundo por não ter nele um lugar propriamente
seu.
Segundo Arendt [...], “o traço distintivo da esfera do lar era que o fato
de que nela os homens viviam juntos por serem a isso compelidos por suas
necessidades e carências.[...]”. Assim é possível afirmar que as necessidades
nasciam na comunidade natural - o lar. Entretanto na Idade Média a questão
original do lar teve a conotação do “bem comum” os indivíduos tinham interesses
materiais e espirituais comuns, não se preocupavam com a vida protegida do lar.
Já na modernidade o individuo deixou o lar e dedicou-se aos assuntos da cidade,
arriscando a própria vida.
Assim, o lar aos poucos perdeu a significação original e chegou aos dias
atuais como casa sinônimo de: abrigo,
segurança, aonde se sonha lugar que o homem quer estar depois de enfrentar as
situações limites que a sociedade impõe. Segundo Bachelard “a casa, na vida do homem, afasta contingências,
multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela o homem seria um ser disperso.” Portanto é possível asseverar
que na atualidade o lar - oikia foi substituído pela casa asilo da consciência, recinto da vida que
principia abrigada e protegida, espaço que permite a cumplicidade de ilusões e
sonhos.
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